E ela, hoje, se consolava pensando que até às sete horas ainda é dia e que poderia ficar ali por mais um tempo olhando o mundo. Mas já eram quase sete e quase já era noite.
Ela só não queria perder seu domingo. E, para isso, acreditava que, ainda de folga, deveria se ocupar de algo produtivo ou construtivo: ir a uma exposição.
Na dúvida entre duas, optou por uma terceira e acabou indo a nenhuma e perguntou-se de onde herdara aquela tendência para desperdiçar dias escassos que eram para ser seus.
Na verdade, não tinha certeza se aquilo era mesmo um desperdício. Ela precisava dormir até às onze, precisava tomar um sorvete extravagante com todas as caldas do mundo, precisava pintar as unhas e tomar uma decisão de nível mediano. Aquele era o seu dia e ela precisava se arrumar, passar o perfume de passear, escovar os dentes com calma, se olhar no espelho e dizer: estou pronta!
Mas pensava... pronta para quê? Pronta para sentir frio num parque cheio de história e esperar seu dia acabar.
E quando acabasse, quando as luzes da cidade se acendessem, ela caminharia vagarosamente até o ponto e esperaria seu ônibus sem pressa, desejando que no caminho chovesse... Já que ela não tinha estreado seu sapatinho novo só porque o céu anunciara que naquela tarde choveria e também porque um banho de chuva ácida da cidade até que não seria tão mal...




